Sandra Braconnot
Você já ouviu falar em BIOMIMÉTICA?
Biomimética - palavra que vem do grego bios - (vida) e mimesis (imitação) - é uma nova ciência que estuda a natureza para aprender com ela, e não sobre ela, estabelecendo uma relação de contemplação, admiração e aprendizagem sem interesse, intenção e pretensão de modificar, extrair ou dominar. É uma proposta para mudarmos o paradigma “a terra não é nossa”. Nós é que somos dela!
Os biomimeticistas estudam os modelos da natureza imitando, inspirando-se neles ou em seus processos para responder perguntas e resolver problemas humanos, entendendo a natureza como uma medida a ser valorizada; como uma mentora a ser respeitada e ouvida, reconhecendo que ela muito tem para nos ensinar. Afinal, são três bilhões e 800 milhões de anos aperfeiçoando seus ecossistemas descobrindo o que funciona, o que é apropriado e o que dura, em uma performance incrível.
Observar a maneira pela qual a natureza executa suas tarefas, relaciona-se com os outros seres e com o meio ambiente, atentando para sua sabedoria e inteligência é, ao mesmo tempo, deslumbrante, assustador e invejável. Na natureza, nada existe sem razão; nada acontece sem gerar conseqüências positivas para o meio ambiente ou seus habitantes; não existe “predador” sem causa nobre; nada é destruído totalmente; tudo é reciclado; nenhuma espécie prejudica à outra sem ser afetada; e a cooperação é sempre recompensada. Nosso planeta poderia ser (ou voltar a ser) um “paraíso” sem excessos ou desequilíbrios se nós - seres “racionais” - não atrapalhássemos o funcionamento genuíno da natureza.
Se tivéssemos humildade para admitir que a Terra não é “nossa” e nós não somos os melhores e nem os mais inteligentes habitantes dela, muito poderíamos aprender. A natureza é capaz de realizar sem dificuldades proezas com as quais nós nem sonhamos conseguir - apesar de toda a nossa pseudo tecnologia. Constatamos que todas as nossas invenções, já existem na natureza sob uma forma mais elegante e a um preço bem menor para o planeta.
Poderíamos, por acaso ou intencionalmente, hibernar como os ursos-pardos ou sobreviver nas regiões árticas como os ursos polares? Imitar alguns animais e plantas que utilizam o mimetismo para sobreviver? Viver mais de três mil anos, pesar duas mil toneladas, alcançar 100 metros de altura e permanecer fortes, bonitos e eretos sem nenhuma ajuda, como as sequóias? Como aguentaríamos as duras condições dos prados alpinos - frio extremo no inverno, ventos de alta velocidade e sol intenso - e ainda mantermo-nos lúcidos para escolher cores certas e adequadas para usar - como fazem as flores nativas? Será que conseguiríamos aprender a manter-nos limpos e perfumados vivendo no lodo, como fazem as flores de Lótus? Perfumar quem nos fere, como o sândalo? Vestir-nos como os lírios do campo?
No decorrer dos seus bilhões de anos de existência - resistência e resiliência - a natureza criou estratégias inigualáveis e surpreendentes! E, apesar de irracionais, estes seres vivos realizam seus “milagres” sem consumir gananciosamente recursos naturais, sem fazer mal aos semelhantes, poluir o planeta ou pôr em risco o futuro!
Quando nós, os humanos racionais, tirarmos a coroa, descermos do pedestal e sentarmos no banco da sala-de-aula da Mestra Gaia e (re) aprendermos lições sobre paciência, respeito, parcimônia, cooperação - competências e valores fundamentais para uma vida feliz em comunidade, ainda poderemos salvar o nosso planeta e a nós mesmos. Que venha a Revolução Biomimética!
Mas… Como fazer? Que utilidade teria e quais os benefícios que a biomimética traria para o nosso dia-a-dia em casa, no trabalho e na vida?
Primeiro, transformaria o nosso sentimento em relação à Terra: reconheceríamos que estamos nela, fazemos parte dela, mas ela não nos pertence. Aceitaríamos que somos apenas uma entre 30 milhões (ou muito mais) de espécies que nela habitam. Ao resgatarmos e exercitarmos o respeito, a humildade e a “consciência do outro” estaríamos dando um grande passo na estrada da biomimética que conduz à salvação do planeta e todos os seres vivos.
Segundo, aprenderíamos com o exemplo da natureza a respeitar nossos limites e a viver dentro deles. Só nossa espécie - a que pensa - cai na armadilha vencer desafios “superar ou ultrapassar” fronteiras sem pensar ou temer as conseqüências. Como seria a nossa vida pessoal, profissional e social se utilizássemos todo o nosso potencial, desenvolvendo-o com sabedoria, sem ir além da linha do saudável, do político, social e ambientalmente correto?
A prática da biomimética possibilitaria mudarmos a maneira como estamos produzindo alimentos, produtos, “remédios”, usando a energia, administrando negócios, gerindo pessoas e - por que não? - gerando a nós mesmos. Talvez pudéssemos passar á limpo nossa consciência, reescrever a história e sair da rota de colisão, destruição e morte.
E, como alerta Janine M. Benyus em seu livro Biomimética - Inovação Inspirada pela Natureza: “Nesta altura da nossa história, em que vislumbramos a possibilidade real de perdermos um quarto de todas as espécies vivas, nos próximos 30 anos, a biomimética torna-se mais que uma maneira de ver a natureza. Ela torna-se uma corrida e um meio de salvação”.
(*) Sandra Braconnot é jornalista, consultora e palestrante. Máster trainner em PNL e Practitioner em Coaching Emocional.
e-mail sandra@sandrabraconnot.com